1940: Mapa do Tesouro na Ilha de Trindade

Podcast 008 Bônus: Rodrigo Goularte
20/07/2021
1910: Roteiro do Tesouro na Ilha de Trindade
09/08/2021

Referência

Mapa do Tesouro na Ilha de Trindade. In A Noite, Rio de Janeiro, 18 de janeiro de 1940. Disponível em: . Acesso em: .

Link Original

http://memoria.bn.br/DocReader/Hotpage/HotpageBN.aspx?bib=348970_04&pagfis=394&pesq&url=http%3A%2F%2Fmemoria.bn.br%2Fdocreader#

Créditos

Marcos Juliano Ofenbock; Jornal A Noite

Encontrou um erro?

1940 - Mapa do Tesouro
Jornal_A_Noite_-_19.01.1940
 
Compartilhe:

1940: Mapa do Tesouro na Ilha de Trindade

O nome Tesouro da Trindade é atribuído ao tesouro que teria sido escondido por piratas na distante Ilha da Trindade, pertencente ao Arquipélago de Trindade e Martim Vaz, um grupo de ilhas situado em meio ao Oceano Atlântico a cerca de 1.200 quilômetros da costa do Brasil, tratando-se da parte mais oriental do território brasileiro. Seu conteúdo, uma fortuna em ouro e pedras preciosas, seria parte das riquezas que teriam sido retiradas de Lima, capital do Peru, em 1821, durante a guerra da independência.

A história sobre a existência do tesouro ganhou fama e tornou-se mundialmente conhecida a partir da publicação, em 1890, do livro The Cruise of the Alerte, de autoria do inglês Edward Frederick Knight, sendo ali usada pela primeira vez a expressão Tesouro da Trindade. Em sua narrativa, o livro contém o relato da expedição realizada por E. F. Knight em 1889, quando esteve na Ilha da Trindade procurando pelo valioso tesouro. Embora não o tenha encontrado, seu testemunho tornou públicos os acontecimentos que deram origem à história e os motivos que a fundamentaram. Publicada na língua inglesa, a obra tornou-se fonte de consulta para pesquisadores de todo o mundo e serviu de base para diversas teorias que surgiriam a respeito da localização e real existência do tesouro.

Seis anos depois de sua publicação, a história do livro The Cruise of the Alerte chegaria ao Brasil por intermédio de uma reportagem do jornal Gazeta de Notícias, que apresentava ao público um resumo da narrativa de E. F. Knight. Curiosamente, seu relato encontrou consonância com outros fatos ocorridos no Brasil, os quais vieram à tona quando um leitor escreveu para o jornal e informou que existia um roteiro, escrito em 1880 por um velho pirata inglês chamado Zulmiro, contendo a descrição de um grande tesouro que estaria escondido em uma ilha “chamada Trindade”.

A partir dessa e outras reportagens publicadas na primeira metade do século XX, pesquisadores brasileiros que tiveram acesso ao conteúdo do roteiro organizaram várias expedições à Ilha da Trindade, mas não encontraram o esconderijo do tesouro. Posteriormente, já no final da década de 1930, dois oficiais da Marinha do Brasil levantaram outra hipótese: a de que o tesouro estaria em uma das ilhas da Baía de Guanabara, no litoral do Rio de Janeiro. Embora também não o tenham encontrado, em 1940 publicaram no jornal A Noite o desenho de um mapa do tesouro, que passaria a ser interpretado como sendo uma reprodução daquele entregue pelo pirata em 1850.

No jornal, é possível ler:

O mapa da antiga Ilha dos Coqueiros, tal como caneta do roteiro de Zulmir. Visto às avessas, ele é o mesmo da Ilha onde estão sendo feitas as pesquisas. Na parte mais saliente, lê-se a palavra “Treasure” (tesouro), ponto escolhido pelos piratas para esconderijo das riquezas. É também nesse local o “papo do pato”, onde está a “Grande PEdra”, de que já falamos. Em cima estão as letras “Z”, “Z”, “J” e “S”, que seriam as iniciais de Zulmir, Zarolho e José Sanches.

Na série de reportagens que vimos publicando sobre as pesquisas levadas a efeito na antiga Ilha dos Coqueiros, pelos tenentes Dinkel da Cunha e Gustavo Gurgulino e pelo Sr. Annibal Pimentel, temos recomposto os sucessivos fatos que os teriam induzido a prosseguir, animados de profunda convicção os trabalhos tendentes a desnudar o segredo dos piratas Zulmir, Zarolho e José Sanches.4O mapa que hoje publicamos da ilha de Trindade dos Piratas, é o mesmo cujo original se encontra em poder do Almirantado britânico e que teria despertado a curiosidade do tenente Dinkel. Esse mapa como dissemos ontem, pertencia ao arquivo do professor Ananias da Cunha, que se limitava apenas a aludir a um “famoso tesouro existente na ilha da Trindade”. Outros documentos ainda se encontram em poder do tenente Dinkel, como seja um mapa representando o roteiro que foi considerado como o dos piradas Zulmir, Zarolho e José Sanches, nas costas de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, uma vez que estava simbolizado pelas letras “Z.Z.J.S.”, 182″, iniciais essas tomadas como as de Zulmir, Zarolho e José Sanches. Ainda se vê nesse mapa uma linha pontilhada, partindo da de navegação, que está orientada no sentido interior da Baia de Guanabara, indo atingir as antigas ilhas de Paranapuan (atual Governador) e Coqueiros, justamente no canal que separa uma da outra, o “Canal de Zulmi”. Há também um mapa representando o litoral da América do Sul e um completo roteiro das Esquadras Piratas, intitulado “Roteiro Zulmir”, com a indicação dos trechos mais constantemente visitados pelos flibusteiros, entre os quais se encontrava também a baía de Guanabara.

Sobre a linha pontilhada que está orientada no sentido interior da baía de Guanabara, os tenentes Dinkel e Gustavo vieram a concluir que essa mesma linha outra coisa não representava senão a visada de cinco graus e trinta minutos noroeste do Pão de Açúcar, correspondente ao meridiano magnético da época, que falamos em nossa primeira reportagem.

 

1 Comment

  1. […] Mapa do tesouro da Ilha de Trindade, que teria sido feito pelo pirata Zarolho na Rússia e publicado em 1940 […]

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.