21/08/2014: Entrevista com a Sra. Nelce Pizzani Rios, provedora da Irmandade de São Benedito do Rosário, realizada dia 21 de outubro de 2014, na Igreja Nossa Senhora do Rosário

O Museu de São Benedito do Rosário: musealização como parte de uma política preservacionista do patrimônio cultural, por Ana Gláucia Oliveira Motta
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Referência

MOTTA, Ana Gláucia Oliveira. O Museu de São Benedito do Rosário: musealização como parte de uma política preservacionista do patrimônio cultural. 2015. 172 f. Dissertação (Mestrado em Museologia e Patrimônio)-Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro; MAST, Rio de Janeiro, 2015, pp.157-164. BIBLIOTECA NACIONAL. Documentos Históricos: Provisões - 1707-1728 (Documentos Históricos, Vol. XLVIII). Rio de Janeiro: Typographia Baptista de Souza, 1940. p. 111-112. Disponível em: . Acesso em: .

Créditos

Ana Gláucia Oliveira Motta

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21/08/2014: Entrevista com a Sra. Nelce Pizzani Rios, provedora da Irmandade de São Benedito do Rosário, realizada dia 21 de outubro de 2014, na Igreja Nossa Senhora do Rosário

Esta entrevista foi realizada por e publicada como anexo em sua dissertação de mestrado, também publicada aqui.


Entrevista

Entrevistadora: Bom, como eu tinha dito, minha pesquisa é sobre a criação do Museu de São Benedito e eu tenho algumas perguntas por que eu já procurei na documentação do IPHAN…

Nelce: E não tem!?

E: Minha pesquisa já esta quase no final, mas tem alguns documentos que ficam faltando informação e dai é por isso da entrevista. Seguindo então… em matéria datada de julho de 1973 foi informado que a igreja estava sem vigário naquela época. 

N: Até hoje.

E: Então, é isso que eu ia perguntar. Essa situação permaneceu até hoje? 

N: Permanece porque quando a gente precisa fazer festejo aqui de São Benedito, tem pedir o padre da Catedral. Então, não tem um padre aqui permanente. A gente tem que conversar com ele para pedir de lá, está entendendo? Ele atende ou então pega outro para atender, mas não tem um fixo na igreja não.

E: E geralmente quais são os ofícios que tem aqui nessa igreja além da Procissão de São Benedito, que tem a missa tradicional…

N: Então, a gente faz. Nós fazemos, assim, uma celebração, entendeu?

E: Casamento não faz? Batismo?

N: Não, casamento a gente não está fazendo. Batismo também não. Não recebemos dízimo.

E: Aquela missa de todo domingo, só tem na Catedral?

N: Não. Não. Lá uma vez ou outra, quando por um acaso a gente resolve, aí então a gente conversa com ele, requisita pra o padre vim para cá celebrar. 

E: E como surgiu a ideia da criação do Museu de São Benedito?

N: Isso foi na restauração, quando eu assumi, em 27 de agosto de 1991. Quando eu assumi, aí depois pela Lei Rubem Braga, né, com o Dr. Paulo Hartung que era na época o prefeito. Ele então cedeu pela Lei Rubem Braga a troca de bônus, né, na Vale. Antigamente Vale do Rio Doce… lá no Tubarão. Ai eu pegava os bônus, trocava no Tubarão, depositavam na conta. Eles lá depositavam na conta de São Benedito, de acordo com o despacho da Irmandade de São Benedito e de acordo com o despacho da Lei Rubem Braga, ta entendendo? Que foi feito, aquela importância X que seria despachado para a restauração. Que a restauração durou de 16 de novembro de 1991 a 14 de dezembro de 1996. Foram 5 anos, praticamente.

E: Sim, mas aí esse dinheiro foi pra restauração da igreja, não é?

N: Pra restauração da igreja. Com aquele material encontrado, assim, deteriorado e jogado como… vamos dizer, não era propriamente um arquivo, era jogado lá em cima… Acumulava aquele material tudo, deteriorado lá em cima, né. Com a restauração, a gente juntou mais. Depois da restauração da igreja, tudo que ficou, nos então… eu, a provedora, e a Carol, que era superintendente do IPHAN na época, resolvemos então fazer… erguer um museu, restaurando as peças. Ai sim, solicitamos também da prefeitura, da Lei Rubem Braga, daí obtivemos uma importância para fazer o museu; organizar o museu. Era um museu simples, né. Mas as peças todas restauradas do próprio acervo da igreja do Rosário que pertence a São Benedito e a Nossa Senhora do Rosário, né. A irmandade de São Benedito do Rosário. E: E ai a gente encontrou na documentação um projeto museográfico inicial que ocupava algumas partes… não só ali de cima, mas aqui em baixo também [espaço da nave]. E ai hoje o museu ocupa só ali em cima? O que vocês consideram hoje o museu?

N: Todo o material antigo, né, que era usado, justamente… Por exemplo, o andor da procissão de São Benedito; o original se encontra lá em cima e a réplica aqui em baixo devido ao peso. Era muito peso, né, era 400kg. Bom, e tem os palium… tem dois palios, tem o antigo órgão que o cupim comeu aquela parte do teclado, entendeu? Mas o cascão dele está todo inteiro. Está lá em cima, né? Estamos vendo se puder restaurar aquela parte, né, de tocagem, né, das teclas. E tem cadeira, tem os baldos, tem a procissão antiga…

E: Mas, a exposição [parte retirada] mesmo é só ali em cima?

N: Só ali em cima.

E: Então é diferenciado o espaço do museu e o espaço da igreja?

N: É. É diferença o museu da nave. 

E: Na documentação também parece que viriam algumas peças de arte sacra que estavam no…

N: Não tinha nada! O que está no museu é da igreja.

E: Mas chegou a ser conversado alguma coisa sobre isso?

N: Não.

E: Porque na documentação, no projeto, vem escrito que parte seria daqui, dos bens da irmandade e parte seria de outros objetos de arte sacra… 

N: Não veio nada de fora. Tudo é exclusivo daqui.

E: Mas a senhora chegou a conversar com a Carol sobre isso? Ela deu essa ideia?

N: Porque eu desde a idade de sete anos permaneci aqui junto com minha mãe, meu pai. Nós vínhamos todos para cá, então, já frequentavam isso aqui. Então aquela parte toda que eu estou te dizendo, é tudo própria igreja. Não tem nada de fora.

E: Então, eu sei que hoje é só daqui…

N: Hoje não, sempre foi!

E: Então, mas na ideia inicial não se chegou a pensar ou a discutir sobre isso?

N: Não, não veio nada de fora não. Tudo foi feito aqui, restauração das imagens, dos altares foi tudo aqui mesmo dentro da igreja.

E: E como vocês pensaram na exposição desse museu? Porque vocês tinham uma coleção, né?…

N: Nós pensamos o seguinte, como que nós íamos deixar esse material tão antigo, um acervo tão bonito, jogado. Então resolvemos fazer esse museu. Por essa razão que surgiu.

E: Uhum, mas como pensaram na organização dessas peças? 

N: Ah nós organizamos. Veio um rapaz lá de… lá de Minas. Lá do… O nome dele, chama-se

Julio…

E: Sim. É de Paraty.

N: É, Paraty. Ele veio para cá e nos ajudou a organizar, né. Então tem tudo direitinho lá em cima, pena que não dá para você ver porque está separado.

E: E com relação aos membros da irmandade. Quando se pensou em fazer esse museu, teve uma assembléia com eles? Eles participaram?

N: Sim, teve. Todos apoiaram, né. Sempre foi muito apoiado, tudo organizado. Quando eu tenho a ideia, nós conversamos. Sempre fui muito apoiada, tanto que eu estava com 22 anos como provedora e me reelegeram; não me deixaram sair. [parte retirada]

E: Na construção inicial do museu o tratado… a participação era entre a irmandade, o iphan e a prefeitura…

N: Não, a prefeitura faz o seguinte. A Lei Rubem Braga era assim, desde que ela cedeu o dinheiro, nós trabalhávamos e depois prestávamos conta, daquilo que foi gasto e ponto. Elimina o processo, o processo é arquivado. A participação dela hoje é pela criação desse projeto Visitar, entendeu? Nós não temos participação.

E: Mas no documento de tinha a assinatura, do Dr. Cyro, se não me engano, que assinou pela prefeitura [houve uma confusão da minha parte nessa pergunta. Na verdade o Sr. Cyro Ollídio Correa de Oliveira Lyra assinou o convênio em nome do IPHAN, através da sua 6ª Coordenadoria Regional. O município de Vitória foi representado nesse mesmo documento pelo então secretário municipal de cultura e turismo, o Sr. Jorge Alencar Tavares de Freitas]. 

N: Não conheço não.

E: E hoje o museu é de responsabilidade de quem? Da irmandade?

N: Da provedora. Da irmandade.

E: E como esse museu se sustenta financeiramente?

N: Financeiro?

E: É. Da onde que vem? Cobra ingresso?

N: Da própria igreja. Da própria irmandade que tem uma verba. Tem a igreja, o museu e mais o cemitério de São Benedito do Rosário lá em Santo Antônio. Não tem ajuda de ninguém. A não ser quando a gente organiza um processo para ver se sai alguma coisa para ajudar, né. Mas fora disso, não se tem ajuda. É a própria irmandade que mantém. E: Ah, sim. E a senhora tinha comentado a questão de Lei Rubem Braga. Teve o incentivo para a restauração da igreja…

N: É, para a restauração da igreja, se não ia cair, tá?! Ia cair mesmo!

E: É, imagino! Encontramos dois projetos próprios para o museu, para a restauração e para comprar material…

N: Tudo, tudo…

E: Esses dois projetos foram aprovados? 

N: Foi tudo aprovado. Tudo que se fez… que se mandou os processos, os processos foram aprovados. 

E: Foi lançado também, logo no começo, um projeto de solicitação para a fundação Vitae.

Não sei se a senhora lembra alguma coisa a esse respeito, a gente tem a documentação…

N: A respeito de que?

E: A Vitae é uma fundação de auxilio a museus e tudo mais… financeiramente e…

N: Mandamos diretamente para a Lei Rubem Braga. Não foi nada para outra…

E: Não tem nenhum outro programa de auxílio? Todos foram…

N: Não, foi só a Lei Rubem Braga.

E: O museu possui alguma reserva técnica ou todas as peças que tem estão expostas? Tem, assim, algum lugar em que as peças são guardadas além da exposição? 

N: Não, não. O que tá no museu fica ai livre na exposição do museu [após a entrevista a Sr.ª Nelce me informou que as peças retiradas da exposição e que as peças ainda não restauradas estão guardadas na administração].

E: E a questão da equipe? Chegou a ser montada alguma equipe alguma vez? 

N: Não. A equipe sempre foi a superintendente do IPHAN, junto com a provedora, a tesoureira e a secretária da irmandade, né. São os membros ai que compõe. Se unia, se organizava, o processo veio a gente viu como podia começar o serviço. Daí, como o IPHAN tem aqueles membros que vêm do Rio… que veio uma comissão do Rio para restaurar os altares, das imagens. Que as imagens levaram injeção contra cupim, os altares também. Depois o revestimento todo de ouro, a pintura antiga, foi que fez prospecção de tudo, né. Ai veio essa equipe do Rio, mas foi tudo pago com dinheiro daqui.

E: Tá, mas eu digo assim, para visitação, para atender os visitantes…

N: Ah, os visitantes…

E: Nunca teve uma atendente? 

N: Não, tem ali o projeto Visitar. Antes do projeto Visitar a gente mesmo que estava aqui quando abria a igreja em dia de missa, qualquer coisa… uns tempos atrás, sempre vinha um padre e celebrava uma missa, né. Agora que com esse projeto Visitar a gente não consegue… é muito difícil conseguir padre. Quando a gente vai lá, conversa com o padre, chama o padre pra fazer uma celebração, e tá difícil porque [áudio ininteligível] é aquele negócio…

E: E então antes do projeto Visitar…

N: Ah, sempre tinha… a gente rezava o terço, isso aí a gente sempre faz, né. Mas, assim, uma coisa vinda de lá do padre para celebrar…

E: Aham, mas então antes do projeto Visitar o museu só funcionava se tivesse alguém aqui? Alguém da irmandade aqui?

N: Não, não! Quando nós fizemos o museu, fizemos uma comunicação ao arcebispo, ele veio cá, que na época era o Dom Silvestre e Dom João Vaz, que era o auxiliar e hoje ele trabalha com o Papa, né, o Dom João, né?! Aí, nos mostramos, eles ficaram muito entusiasmado. Depois surgiu a Leonor que veio de Brasília… foi que começou com esse movimento do projeto da visitação dos turistas, que depois nasceu o Visitar com o Instituto Goia, entendeu? Agora, essas meninas são remuneradas pela prefeitura. E nós fizemos um contrato com os vigilantes, né?! [parte retirada] Fiz contrato com vigilante, fiz com alarme, botei alarme na igreja toda. O que foi mais? Fora disso, o que a igreja precisa eu comunico ao IPHAN. O IPHAN me autoriza, eu chamo as pessoas para vim cá para trabalhar… dedetização, esses serviços todos. 

E: Sim, mas eu digo assim com relação ao museu. Especificamente o Museu, esquecendo a igreja. Antes das meninas, como acontecia a visitação? Só quando tinha gente aqui?

N: Monitoramento? Mas antes não tinha museu. Foi só depois que fizemos o museu que é que houve a criação do projeto Visitar, que as meninas vieram para cá. Entendeu como é que é? Eu te dei a data? Foi 30 de setembro de 2003.

E: Da inauguração?

N: Da inauguração do museu.

E: E quando o museu funcionava, quem eram os frequentadores do museu?

N: Ah, é o povo em geral. Pessoas que vem de fora também. Os turistas que vem ai e passa de navio, faz visitação. Os estrangeiros. O povo todo, né?! Porque fica aberta, de 9 da manhã às cinco da tarde, exceto a segunda-feira. A semana toda de terça a domingo, né?!

Nesse horário, então, tem a visitação pública.

E: E na época da criação do museu…

N: Isso depois da restauração. Não foi nem depois da restauração… Não, foi depois da restauração! A igreja restaurada, o museu organizado, já os anos passados… Ai, eu não me lembro o começo da visitação do projeto Visitar, não tô bem lembrada da data. Foi de dois mil e pouco para cá, não sei se foi depois de 2004, 2005.

[nesse momento da entrevista D. Nelce pergunta a monitora do Visitar que estava de plantão na igreja quando começou o projeto e ela respondeu que foi em setembro 2006]

E: É, três anos depois da inauguração do museu. E na época da inauguração do museu, foi pensado para que público ele seria? 

N: Não, não.

E: Eu só na questão de preservar as peças? 

N: Quando se fez o museu, justamente a nossa razão foi essa, do povo visitar para saber. E mesmo aqui em Vitória não tem museu. Você pode repara que não tem museu. No Carmo não tem, no Carlos Gomes não tem, que é um teatro. São Francisco não tem [na verdade, o Convento de São Francisco possui um Centro de Memória da Arquidiocese de Vitória], São Gonçalo não tem museu. O único que tem é aqui. É a única igreja que tem mais acervo, né? Porque nós tínhamos, ainda tem muitas peças para ser concertadas, que estão quebradas, que eu ainda não tive verba para consertar. Porque não é brincadeira não minha filha, eu mando soldar uma pecinha é 300, 400 reais… [parte retirada a pedido da entrevistada]

E: E a questão da previsão. Na documentação a gente viu varias vezes, geralmente em documentos assinados pela Carol, dizendo ia inaugurar um determinado dia, depois outro. Foram ditas várias datas que foram adiando. Tem algum motivo específico para isso? N: Não, quando nós marcamos fizemos no dia em que marcamos. Quando nós vimos que ia terminar, ai nós marcamos a data. 

E: E a criação do museu foi só uma tentativa de… uma ação para preservar só os bens… o acervo móveis ou tem também a questão de preservação da igreja?

N: De tudo. Tanto do museu quando da igreja. A preservação é a mesma. Tanto que não tenho ninguém na administração do museu. Nós não conseguimos até hoje. Porque para colocar uma pessoa na administração tem que ser pessoa da própria irmandade. Nós não podemos colocar uma pessoa estranha para trabalhar lá dentro, de maneira alguma! Tem que ser pessoa da própria irmandade, que é para conservar, zelar e vigiar.

E: E a senhora sabe alguma coisa a respeito de, antes de se pensar o museu de São

Benedito, alguma ideia de criar aqui um museu, que hoje fica lá perto do Parque Moscoso, o

MUCANE?

N: O dos negros? Nunca pensei nisso e nem quero pensar. 

E: E como a senhora descreveria hoje a relação do Museu de São Benedito com o IPHAN? Assim, qualquer coisa que for mexer no museu tem que perguntar ao IPHAN? Como é que funciona isso? 

N: Muita coisa tem que perguntar, por exemplo, na minha ideia, o museu, da maneira que ele está, ele não pode ser, assim… nem aberto pro público. Nós não temos câmera, nós não temos… por exemplo, aqui, nessa igreja é para nós termos pelo menos três guardas, um na entrada principal da igreja, outra no portão que é a segunda entrada e um para permanecer dentro da igreja, porque no momento em que a moça do monitoramento, é para ter duas, uma para subir com os visitantes e a outra pra permanecer aqui em baixo. Ai ela explicar lá me cima… explicar, mostrar, né, dar toda identificação das coisas, aquele volume desce, também, por exemplo, não pode quarenta e tantas pessoas de uma vez, tem que ser de 10 em 10 ou de 8 em 8, né, assim, para dar, para ela poder então se manifestar e explicar. E aqui em baixo ficar sempre um guarda de vigilante, porque aqui, além de tudo, é um lugar muito perigoso: assaltante, droga… é muito perigoso. Até mesmo para a pessoa ficar sozinha com o guarda só. Eu falo, mas eles não querem me ouvir. 

E: E como é a relação. Como a irmandade pensa o museu com a igreja? Eles pensam como uma continuação da igreja ou como duas coisas separadas? 

N: Não, como uma continuação englobada. A própria irmandade tem que zelar tanto pela igreja como pelo museu. Não só aqui como o cemitério também que do próprio São Benedito, que é próprio da irmandade de São Benedito. Lá em Santo Antônio.

E: E o museu está fechado desde quando? 

N: Olha, o museu está propriamente desativado, né, porque eu recolhi todas as imagens e guardei, porque houve ai um negócio [problema com a segurança do museu], então, dai enquanto o IPHAN não decidir essa parte como eu pedi… nós temos que ter câmera, só temos que ter tudo certinho, ar condicionado lá em cima, tá entendendo? Eu não sei se vai poder botar. E outras coisas que a gente tem que fazer para a segurança do próprio museu. Tanto que as grades, que eu mandei fazer, nós pusemos todas pela parte interna, né.

Externa não tem grade, né, mas interna tem. 

E: E tem alguma previsão para a abertura? 

N: Não, tem previsão nenhuma, nenhuma, nenhuma. Tanto que já tá precisando de restauração novamente. Você esta vendo que está precisando. Olha o altar! Você nem diz que tem ouro ali. Você vê um pouquinho só lá no [altar] dos fundos, né. Já escureceu tudo!

Oh… é máquina [fotográfica]. É proibido, mas ninguém atende, né. [parte retirada] E: Então é esperar o IPHAN resolver esse problema para poder reabrir?

N: É, eu estou esperando.

E: Eu percebi que tem umas peças nesse corredor [do ossário], o que são?

N: Ah, aquelas peças ali… foi no dia dos negros que um rapaz da irmandade, ele trouxe para mostrar ali. Ele fez uma apresentação para o público de uma reunião que nós fizemos aqui. Tipo, assim, como é que se diz?… Uma celebração. Ai depois ele mostrou aquelas peças e depois deixou ali como mostruário. É de um rapaz… esqueci o nome dele… faz muita… como é que se diz? exposição daquelas peças. Ai ele deixou ali. Dai eu disse: “pode deixar, não tem problema não”… “Que se quiser pode até comprar para vocês, se vender dá até uma ajuda aí para a igreja”, 

E: Ah, legal, então a venda das peças seria revertida para a igreja? 

N: É, ai eu deixei. Mas não é acervo da igreja. 

E: Já aconteceu alguma exposição temporária aqui? 

N: Não. Foi só essa que ele fez agora, recente, desse rapaz. Sempre é festa de São Benedito, negócio de congo que vem, né? Você sabe, 27 de dezembro vem ai, já to lá em casa… já estava tão preocupada com esse negócio que houve lá… [parte retirada a pedido da entrevistada]

N: Eu tenho até aquela casinha de leilão. Aquela casa pertence também aqui, né. Com a restauração, nós até restauramos também, mas até arrombaram as duas portas dali. Eu comuniquei ao IPHAN… [problema técnico com a gravação] E tem uma coisa, eu sei como conserta um patrimônio. Um reboco desse é areia, barro e cal. Quer dizer, não pode colocar cimento. De jeito nenhum…

E: É, essa técnica construtiva colonial…

N: As vezes a gente chama um pedreiro… “Dona Nelce, quer colocar um pouquinho de cimento?”. Ai eu digo: “Para que? Onde você vai passar cimento?”. “É que precisa…”. “Não é barro, cal e…”. E daí ele morre de rir, “Ah é?”, “É”… Eles não sabem não. Morrem de rir comigo, aí minha filha se você faz uma comunicação, espera aquele sim demorado, as vezes até arreia, né, o que está se esperando. Se você fizer…eu sei como consertar… eu sei! Mas se eu fizer, deixar prontinho, levo uma boa multa, né.  

FIM DA ENTREVISTA.

 

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